sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O fenômeno "Jout Jout" e o poder da empatia na internet


Olá, 

Escrevo hoje para comentar sobre uma vlogueira chamada "Jout Jout", na verdade Julia, uma carioca de 24 anos que começou a postar videos no YouTube sobre temas variados, buscando se livrar da vergonha que tinha em mostrar suas produções aos outros.

O canal chamado "Jout Jout Prazer", versa sobre quaisquer temas que passem pela cabeça dela, aliado também a temas sugeridos por seus fãs, a auto intitulada "Família Jout Jout". A exposição que mais chamou atenção do público foi a "destabulização" de temas como os relacionamentos abusivos, questões relacionadas à sexualidade, masturbação, ao uso de coletor menstrual, ao abuso sexual, ao machismo, racismo, homofobia, entre outros temas cotidianos mais banais dos quais ela fala com total desprendimento. 

O que mais me chama atenção é a forma absolutamente livre e a vontade com que Julia se apresenta diante das câmeras. A vlogueira é uma garota de classe média de Niterói, no Rio de Janeiro, que fala das suas opiniões sobre séries, relacionamentos, sexo, amizades, personalidades, sobre seus animais de estimação, sobre sua mãe, sobre questões pessoais com seu namorado Caio, sobre sua vida escolar e seus traumas relacionados a aparência, sempre com a presença de espírito de colocar o telespectador a vontade, como se fosse um amigo, conversando com ela pessoalmente. 

Em sua fala ela demonstra ter valores claros relacionados aos direitos humanos, mantendo sempre uma postura de respeito ao próximo como diferente e legítimo em suas escolhas, sejam elas quais forem, mas mantendo um bom humor em tudo o que coloca. Mesmo nas questões mais sérias ela se coloca como aberta a estar errada e a não dá de forma alguma a palavra final sobre um assunto, mas apenas a sua opinião e a sugestão de que as pessoas encontrem seus caminhos e se divirtam na vida. 

Acredito que o segredo de seu sucesso seja justamente a sua liberdade em mostrar de forma simples suas opiniões sobre todo o tipo de coisa, mesmo aquelas que são mais complexas como a filosofia e a arte, "destabulizando", ou seja, tirando o tabu de temas diversos com a capacidade de nos fazer rir de nós mesmos, enquanto rimos dela também em sua honestidade e espontaneidade particulares. 

A quem se interessar por conhecer essa figura, recomendo assistir sem preconceitos, pois como ela mesma esclarece no rodapé do canal, não há roteiro para a produção deles, que são bem livres, leves e soltos. 

O canal pode soar bobo para alguns e até pesado para outros, dependendo de como pegar em cada um cada uma das questões comentadas pelo casal (Caio participa quase sempre atrás das câmeras, comentando muitas das ideias de Julia). 

De qualquer maneira é muito interessante poder perceber o tipo de vinculação e exposição que a internet propõe, dando caminhos tão diversos como uma opção profissional às pessoas que experimentam se expor e descobrir novos caminhos para si mesmas através da rede. Acho que seus vídeos fazem as pessoas se sentirem de alguma forma menos sozinhas. Só isso já é muito importante!


Espero que promova no mínimo alguns sorrisos em vocês.


Um abraço,
Carol




2 comentários:

  1. Oi Carol também gosto da Jout Jout e, assim como você, sou psicóloga. Acho que você a descreveu muito bem e fiquei pensando aqui: por que as pessoas se conectam tanto a ela? Penso que é justamente pela leveza ao tratar assuntos delicados. Ela não chega com um discurso impositivo, dona do saber... ela compartilha informações e vivências... penso que o canal dela pode ser um grande instrumento para a mobilização contra as violências (incluindo aqui os preconceitos, os estigmas, a moralidade hipócrita entre outros)... enfim, compartilhando pensamentos... abraços!

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    1. OI Claudia, acho que é isso mesmo! Acho que ela se arrisca a estar errada e isso traz a empatia das pessoas porque no fundo no fundo todos estamos correndo esse risco, mas ela não se omite de pensar a respeito das coisas com uma seriedade flexível e humana como deveríamos todos ser. Na opinião não há verdades absolutas. E opiniões são parte de uma visão pessoas e subjetiva do mundo que sempre interessa conhecer, mas nunca poderia ser tomada como verdade absoluta. É isso nela que me encanta. E claro, o bom humor leve e delicioso da forma como se expressa. Obrigada por compartilhar seus pensamentos! Fique a vontade por aqui para fazê-lo! Um abraço!

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